O que aprendi com “O melhor do mundo” de Seth Godin

o melhor do mundo - seth godinSeth Godin é autor de vários livros sobre negócios e marketing. Fundou e foi CEO da Yoyodyne, uma das primeiras companhias de marketing online, adquirida pelo Yahoo! em 1998.

Em seu livro O melhor do mundo (The dip), ele ensina a saber quando insistir e quando desistir. “Benefícios extraordinários são obtidos pela pequena minoria capaz de fazer um esforço extra e ir um pouco mais longe do que a maioria. Benefícios extraordinários também são conquistados pela pequena minoria com coragem de desistir antes e redirecionar sua energia para algo novo.”

Em todo o momento do livro, ele ensina que o objeto é ser o melhor do mundo: desista do que não vale a pena, insista no que compensa. E tenha peito de fazer uma coisa ou outra.

Qualquer pessoa que pense em contratá-lo, comprar algo de você, recomendá-lo a alguém ou fazer alguma coisa do gênero vai se perguntar se você é a escolha certa, “o melhor do mundo na sua área”. Claro que não é preciso ser literalmente o melhor dom mundo, aquele que é reconhecido internacionalmente, com prêmios e sua foto estampada em capas de revistas. “O melhor do mundo” no seguinte sentido: melhor para essa pessoa, em determinado momento, com base no que ela sabe e acredita. E a concepção de mundo aqui é egoísta: o mundo dessa pessoa, com suas preferências e conveniências.

Nossa cultura celebra os vencedores. Estamos sempre premiando o produto, a música, a empresa ou o funcionário número 1. Sem muito tempo ou oportunidade para experimentar, nós intencionalmente reduzimos nossas escolhas ao que consideramos melhor.

Além disso, estar no topo é vantajoso porque poucos chegam lá. É difícil ser o melhor do mundo, é preciso enfrentar grandes desafios e, mais importante que tudo, saber quando vale a pena insistir e quando é hora de desistir.

O que aprendi com o livro:

Vencedores desistem o tempo todo

O livro já começa com uma patada em livros de auto-ajuda e aquelas frases que ouvimos sempre como “não desista nunca”. Segundo o autor, o conselho está errado, pois desistir faz parte do processo de ser “o melhor do mundo”. A todo momento o autor falará em ser o melhor do mundo e na capacidade de desistir da coisa certa na hora certa.

Às vezes nos sentimos desencorajados e recorremos a livros motivacionais, como os de Vince Lombardi: Aqueles que desistem nunca vencem e os vencedores nunca desistem. Péssimo conselho. Vencedores desistem o tempo todo. A diferença é que eles sabem a hora certa de desistir das coisas certas.

Ir além do que a maioria

O título original do livro (The dip, em tradução livre: queda, inclinação, depressão) e também a ilustração da capa mostra o conceito que toda e qualquer coisa possui uma grande “depressão”. Tudo que começa divertido e fácil, e após um certo tempo perdemos uma parte da empolgação e a relação esforço/ganho fica mais árdua e é exatamente aí que muitas pessoas desistem.

Seth Godin sugere que se você não acha que vale apena atravessar essa depressão nem deve começar algo, e sugere uma ótima reflexão sobre insistir e desistir das coisas, mostrando também que desistir algumas vezes é a melhor decisão que você pode tomar.

Desista do que não vale a pena. Insista no que compensa. Tenha peito de fazer uma coisa ou outra. Benefícios extraordinários são obtidos por quem consegue fazer um esforço extra e ir além do que a maioria. Mas benefícios extraordinários também são obtidos por aqueles que têm coragem de desistir antes e redirecionar sua energia para algo novo.

A importância de ser o número um

Porque é importante ser o número um? Se você está doente, buscará qualquer opinião ou buscará o melhor médico? Ao contratar alguém para sua equipe selecionará os currículos medianos ou os das pessoas mais qualificadas? Sem tempo ou oportunidade, não nos damos ao luxo de experimentar e reduzimos nossas escolhas ao melhor. Daí a importância em ser o “melhor do mundo”.

Estar no topo é importante porque só há espaço para poucos. As coisas raras têm valor. Não somos seletivos na escolha de uma água mineral. Existem várias marcas e as diferenças não são tão gritantes. Agora na escolha de um champanhe a história é outra. Ser o melhor do mundo nos leva a esse topo, junto a poucos. Nos confere a raridade e o valor que o mercado paga aos melhores.

Diante da infinidade de produtos, muitos consumidores escolhem o líder de mercado. Quando um livro aparece na lista dos mais vendidos, isso impulsiona ainda mais as suas vendas.

Não se contentar com o “bom o suficiente”

Temos a tendência a nos acomodar. Alcançamos um bom emprego e ali estacionamos, sem almejar cargos maiores ou mais desafios. Já temos um bom salário, então porque arriscar? Aprendemos a tocar um instrumento ou a fazer uma nova atividade e já achamos bom o suficiente até ali e já nos sentimos o máximo, mesmo que haja outros profissionais melhores do que você na sua área.

Seth Godin nos mostra que a razão por que grandes empresas falham quando tentam entrar em novos mercados é que se tornam muito condescendentes. As pessoas se acomodam. Elas se satisfazem em ser menos do que são capazes. As empresas também se acostumam com o bom o suficiente em vez de ser o melhor do mundo.

O especialista tem mais resultados que o generalista

O maior erro cometido na escola. Uma parte interessante do livro:

Quase tudo o que você aprendeu na escola sobre a vida está errado, mas o maior equívoco deve ser o seguinte: saber um pouco de tudo é o segredo para o sucesso.

A chave está aqui: aprender para a vida. Há muito tempo descobri que a escola não ensina para a vida, ela ensina para o vestibular… Seth Godin comenta sobre a ideia de que na escola temos que aprender e saber de tudo, devemos tirar notas boas em todas as matérias e não apenas em uma ou outra. Ele faz essa comparação com as escolhas que faremos na vida: que médico escolher, em que restaurante comer. “Com que frequência você procura alguém que seja ótimo nas coisas que você não precisa?” Até que ponto você espera que seu contador seja um bom cozinheiro ou um exímio jogador de tênis? Em relação a isso, o autor lembra que muitas empresas fazem muitas coisas, mas não conseguem se sobressair em nada, são medíocres em tudo. Assim abrem espaço para a concorrência: não são boas em tudo, mas têm um desempenho excepcional nas áreas importantes.

Conhecer os Vãos e os “becos sem saída”, e então saber a hora certa de desistir ou insistir

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O Vão. Quase tudo na vida pode ser controlado pelo “Vão”. Logo que você começa alguma atividade, tudo parece divertido. Você pode estar aprendendo a jogar golfe, aprender a pilotar um avião ou estudando química. Você acha interessante, gosta, curte bem. Nos dias e semanas seguintes, tudo vai bem e você continua gostando.

Aí vem o Vão.

Aquela parte chata de aprender, de continuar sofrendo para chegar ao resultado esperado. A burocracia e o trabalho árduo. As noites inteiras de estudo e pouco sono. O Vão é o conjunto de filtros criado para separar os medíocres dos verdadeiros vencedores, os melhores do mundo. Ser o presidente de uma empresa é uma maravilha. É fácil ser presidente de uma empresa, difícil é chegar lá. Você olha o currículo de um desses presidentes e nota que ele aguentou um Vão de 25 anos antes de conseguir o cargo, engolindo sapos, trabalhando até tarde, ganhando pouco, mantendo a cabeça baixa, adulando o chefe etc.

Se vale a pena, é provável que haja um Vão. O jogo de tênis tem um Vão. A diferença entre um jogador medíocre de fim de semana e um campeão regional não é o talento nato – é a habilidade de persistir nos momentos em que seria mais fácil desistir.

Um pica-pau pode bicar 20 vezes em mil árvores diferentes e não chega a lugar nenhum, mas se manter ocupado. Ou ele pode bicar 20 mil vezes na mesma árvore e conseguir o seu jantar.

Vão da manufatura: é fácil e divertido começar a construir alguma coisa na sua garagem. É muito difícil e caro comprar um molde de injeção, criar um circuito integrado ou passar para a produção em larga escala. O tempo, o esforço e o custo de aumentar sua operação é que criam o Vão.

Além do Vão que ajuda a se sobressair e chegar a ser o melhor do mundo, existem outras curvas, como o “beco sem saída”. É simples: é quando você trabalha, trabalha e nada muda. Empregos sem futuro são Becos sem Saída.

Um médico que sacrifica um ano de sua vida por uma especialidade colhe as recompensas por décadas.

Desistir é positivo

Uma reflexão interessante: a maioria das pessoas acha que o segredo é persistir. Se bastasse não desistir para ser bem sucedido, porque empresas menos motivadas do que a sua se dariam bem? Por que pessoas menos talentosas do que você venceriam? Você pode estar insistindo na direção errada. Está na hora de desistir.

E o medo de desistir? Desistir é difícil. Exige que você reconheça que jamais será o número 1. Pelo menos não na sua área de atuação.

Crescemos acreditando que desistir é uma falha moral. Desistir dá uma sensação negativa. Seth Godin nos convida a encarar a possibilidade de desistir como algo positivo. Não tem nada a ver com a humilhação da derrota. Mais do que isso, você pode perceber que desistir das coisas com as quais não se importa, abrir mão daquilo em que é medíocre ou abandonar os Becos sem Saída são atitudes que o liberam para se dedicar aos Vãos realmente relevantes.

Não desistir no meio do Vão, pensar sempre no longo prazo

Desistir no meio do Vão costuma ser uma decisão de curto prazo – e uma péssima decisão. É mais fácil aguentar uma aula entediante na faculdade se você consegue imaginar o dia da formatura. Saber se você está se saindo bem ou mal e acompanhar a sua colocação no ranking pode ser um grande estímulo.

Com isto, Seth Godin mostra que desistir de algo porque o momento não parece legal (uma aula entediante, um professor chato, a distância de casa até a faculdade) é uma péssima escolha, é uma desistência falha, pois você está perdendo grandes oportunidades. Aqueles que conseguem observar as conquistas a longo prazo perceberão que desistir não é a melhor escolha no momento, a não ser, é claro, que a desistência tenha a ver com outro fator, como mudar de área ou investir em algo diferente.

Sabe aquele conselho “nunca desista”? Desistir pensando apenas no curto prazo é uma ideia ruim. A formulação melhor do conselho é a seguinte: “Nunca desista de algo que tem muito potencial a longo prazo apenas porque você não está conseguindo lidar com o estresse do momento.” Isso sim é um bom conselho.


A leitura do livro em 2010, além de outros artigos e blogs de empreendedorismo acabaram me impulsionando a algumas decisões, como pedir demissão do meu bom emprego em uma grande indústria de tecnologia e me arriscar em outros trabalhos e a arriscar a empreender. Me mudei para São Paulo para me associar a um amigo numa empresa de criação e numa ONG (numa experiência incrível). Depois de volta a Curitiba e passei até o final de 2011 montando minha “eupresa” de hospedagem web e trabalhando free lancer com web design.

Nem tudo são flores e nesse período de experiências incríveis com a saída do emprego, e as novas experiências, também cometi falhas ou não soube insistir ou desistir de coisas nos momentos certos. Mas reconheço onde falhei ou onde poderia ter feito diferente. O livro e suas ideias continuam válidos. Super indico!

Todos os nossos sucessos são iguais. E nossos fracassos também. Somos bem sucedidos quando fazemos algo extraordinário. Fracassamos quando desistimos cedo demais. Somos bem sucedidos quando somos os melhores do mundo naquilo que fazemos. Fracassamos quando não temos coragem de desistir de tarefas que só servem para nos desviar do que é realmente importante.

Tarcisio Cavalcante

Nerd, web designer, early adopter, entusiasta de internet, marketing digital, mídias sociais e empreendedorismo. Escreve sobre blogs, tecnologia, nerdices, mídias sociais e o que mais pintar na cabeça, que está sempre cheia de novidades e ideias. Colaboração é o seu mantra. Buscando sempre novas oportunidades e projetos, vive abraçando o mundo com as mãos e os pés. É empreendedor e mantém a IDEO Digital e a Hospedaria 42 Nerd Hosting. Também dá bom dia nas redes sociais.

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